Análise [14] – Danganronpa 2: Goodbye Despair – A diferença entreEsperança e Desespero está na dose

Já deixo o aviso: tirei fotos de alguns trechos do jogo, mas tô com preguiça de fazer crop nelas. Largue a mão de ser chato e aproveite a análise!

Pra quem já viu a nossa análise do primeiro Danganronpa (da época que o jogo só tinha a tradução por fãs da Zetsubou Project) sabe que eu virei um fã instantâneo da série. Mesmo que tenha tudo começado com o anime que começou bem adaptado, mas depois ficou corrido (DEMAIS), Danganronpa me surpreendeu em todos os sentidos. O que antes mais parecia uma tentativa de exagerar o que já é exagerado em Phoenix Wright acabou abrindo horizontes para uma narrativa que vai muito além do simples “resolva esse caso, aqui estão os fatos e evidências”, mas de uma história que vai a um confronto bem mais elementar na natureza humana, onde todos duvidam de todos num ambiente onde deve-se matar para ter uma chance de sobreviver, mas que na verdade são os laços humanos e a cooperação entre eles que dão a chance de lutar “contra o sistema” (você pode interpretar isso como uma coisa menos “revolta”, tá?)

Mas bom, disso aí você já sabe se você já jogou o jogo anterior. Bem, então a continuação ensina simplesmente a mesma coisa? CLARO QUE NÃO, ISSO NÃO É CALL OF DUTY!

Danganronpa 2 é incrível pois ele começa como se fosse um novo jogo no mesmo universo, ou mesmo uma side-story que acontece com a Kibougamine Gakuen (Hope’s Peak Academy, em inglês) em algum ano ou lugar diferente… até você encontrar a Monomi e virar tudo de cabeça pra baixo… e então encontrar referências engraçadas ao jogo anterior… e daí você passa quase meia hora no jogo e se pergunta “Caramba, isso ainda é o Danganronpa que eu tanto gosto?”… E DAÍ BOOM, todos são surpreendidos novamente quando quase nada do jogo anterior é citado… o que deixa você confuso, mas ao mesmo tempo feliz por ter um conteúdo tão único e imprevisível como foi a primeira vez que você jogou o primeiro jogo e caiu na mágica e vício de sua narrativa e progressão.

Mas bem, vamos encerrar a introdução por aqui senão não vou me conter. Vamos à análise!
História e Rotas

O protagonista desta vez é Hajime Hinata, um garoto que sempre quis estudar na Kibougamine Gakuen, admirando-a por toda a sua vida por ser um lugar onde, uma vez lá dentro, você estará feito na vida. Empresas virão atrás de você e vão lhe dar um emprego dos sonhos, ou se você quiser abrir seu próprio negócio, seja lá qual for o ser talento supremo, você vai suceder. Afinal, pra você entrar, você tem que ser excepcional em alguma coisa, que é basicamente o seu tal talento supremo, tanto que os estudantes sempre são conhecidos como supremo-alguma-coisa (ultimate em inglês, chou-koukoukyuu em japonês). Ou isso, ou ser sorteado numa loteira que rola no mundo inteiro para eleger o “supremo sortudo”, caso do nosso protagonista, aparentemente.

De repente, Hinata acaba por conhecer seus novos colegas de classe, que por vez conhecer o que seria o novo… hum… nova professora deles… que se chama Usami, por ser um coelho de pelúcia rosa misturada com mahou shoujo (sério)… que do nada traz todos os estudantes para uma ilha tropical paradisíaca, onde o único objetivo é, pura e simplesmente, aproveitar os dias de sua juventude por lá, serem amiguinhos felizes e relaxar.

“Yare yare”

Todo mundo (até eu) fica confuso nesse ponto, mas depois de uma meia hora de jogo você acaba engolindo aquilo tudo (pelo menos os estudantes do jogo), mas, quando o tempo fecha, há a entrada genial do grande e único Monokuma, mesmo do jogo original, que dá uma coça na Usami e a transforma em Monomi (sim, ele arranca um olho dela) e transforma o jogo na típica Vida Escolar da Morte famosa no primeiro jogo: se os estudantes quiserem sair da ilha, eles vão ter que matar um de seus coleguinhas do jeito mais perfeito possível. Depois de um tempo de investigação e um tribunal de classe, se ninguém conseguir achar quem matou a vítima ou fazer a escolha errada, o verdadeiro culpado sai da ilha e o resto é punido. Para sobreviverem, deve-se chegar no culpado certo, para que assim só ele seja punido pelos seus atos.

O jogo conta com seis capítulos lotados de história, onde pouco a pouco acaba esclarecendo as dúvidas dos estudantes, como porque eles não lembrarem de entrar na sala onde todo mundo se encontra com todo mundo, mas abrindo muitas outras perguntas como se Hinata tinha algum talento supremo, se Monokuma e Monomi estão trabalhando juntos, e até mesmo quem é o “infiltrado” dentro do grupo de estudantes. Algumas respostas demoram bem mais que outras, mas acredite, é um passeio numa puta montanha-russa foderosa.

Traços, Trilha Sonora e Animação
… Na praia? Menina corajosa, hein!

Sinceramente, não há nada de diferente de quem está acostumado com o primeiro jogo. Sendo modelado na mesma engine e, originalmente, sendo lançado para PSP (assim como o primeiro jogo também), não havia como melhorar mais uma engine daquelas a menos que você deixasse de usar uma engine especializada para visual novels. Até mesmo os tribunais de classe funcionam de maneira idêntica a antes, com exceção, claro, dos novos mini-games, tanto dentro dos tribunais quanto nos modos fora do jogo (isso é papo pra minha opinião).

Por ser uma versão para o Vita, que tem um hardware consideravelmente melhor, temos uma experiência quase que lag-free, rarissimamente travando ou dando problemas. Além disso, também tem suporte para o touchscreen frontal e traseiro em alguns minigames, mas fora isso, não tem tanta diferença quanto foi minha experiência no PSP, apesar de mais cômodo se fosse dizer uma vantagem.

Acredite se quiser, foi uma referência ao jogo Kira*Kira (a música Kimi no Moto he)

Quanto às músicas, temos várias músicas iguais do jogo anterior e algumas músicas novas. Elas têm uma vibe bem similar, mas ao mesmo tempo têm um tom original neles, dando uma sensação nostálgica bem legal. Claro, estamos falando de músicas de um mesmo compositor das músicas originais do primeiro jogo, então pode ter gente que critique isso, mas por mim, eu gostei bastante do trabalho realizado, já que não foi algo como “copia o ritmo, muda as notas”. Algumas músicas genuinamente te deixa relaxado como se estivesse numa ilha tropical mesmo, ou mesmo sentindo a mesma aflição dos personagens do jogo. E claro, temos as músicas com guitarras, que pra mim são as melhores e mais cheias de emoção. Ah, e uma dica, jogue com um fone de ouvido bom, garanto que você vai aproveitar bem mais as músicas assim.

Na dublagem, mesmo sendo quase exclusiva para os tribunais de classe, é extremamente bem trabalhada, diria até que mais que no jogo anterior por terem personagens ainda mais peculiares e certas seiyuus famosas, como a Ai Kayano (Akane, de Kanojo ga Flag wo Oraretara, Shiro de No Game No Life), Miho Arakawa (Himari, de Mawaru Penguindrum) e, claro, Hanazawa Kana (Nadeko de Bakemonogatari, Kanade de Angel Beats, Marie de Persona 4 Golden Animation), que dubla a garota mais fofoda do jogo, Chiaki Nanami (TIREM OS OLHOS, SEUS PUTOS!).

Sério, referência até nos livros da série Guia Mangá? CARALHO, QUE GÊNIO!

Opinião

As similaridades deste jogo com o jogo anterior da série são grandes, admito, mas se você acha que a experiência é a mesma ou é repetitiva para quem já jogou o jogo anterior, você está muito enganado. Danganronpa 2 começa (e fica, por muito tempo) como um jogo independente, onde tanto um jogador novato quanto um mais veterano à série pode jogar sem qualquer problema e sem medo de não entender o que está acontecendo. Apenas lá beeeeeeeeeeem pro final que, na verdade, tem uma ligação entre os dois jogos que passa além do simples tribunal de classe que tem o mesmo sistema e progressão.

Afinal, o mais interessante disso é que o jogo muitas vezes referencia o jogo anterior de jeitos bem engraçados, não no sentido de dar spoiler pesado, mas no sentido de já ir revelando coisas nas primeiras horas de jogo quando o jogo anterior só revelava bem pra frente. Pode soar frustrante, mas não é nem um pouco, uma vez que refresca a memória dos jogadores e também abre caminhos para a solução de outros mistérios ainda maiores. Falando em referência, essas com certeza são as partes mais engraçadas do jogo, onde há célebres cenas ou falas que claramente foram usadas em obras mais famosas. Animes shounen, jogos clássicos e atuais, uma sátira com a indústria de eroges e visual novels tradicionais, termos otakus jogados aqui e ali, e até referências com outros jogos (tem até de God of War, é só jogar com o áudio em japa que você descobre) são apenas algumas das coisas que realmente fazem o ritmo do jogo ficar mais agradável e menos depressivo do que aparenta ser… isso, além das piadas que ocorrem entre os personagens, algumas genuinamente engraçadas.

O tribunal de classe continua dividido em etapas semelhantes ao do jogo anterior: Make Your Argument faz você achar controvérsias (ou mesmo concordar com certas frases, algo novo aqui) com as evidências corretas, Improved Hangman’s Gambit faz você adivinhar uma palavra-chave ao acertar diferentes letras (e ô mini-game difícil do cassete pra se jogar no final do jogo!), Panic Talk Action faz você “destruir” escudos do seu oponente e revidar seus argumentos com uma evidência, e o Closing Argument é a minha parte favorita, onde tudo se encerra ao recapitular o homicídio em forma de mangá. Além disso, dois novos mini-games foram adicionados: Rebuttal Showdown, onde você deve atacar precisamente as palavras que uma pessoa diz para ganhar credibilidade em algumas asserções suas (como se fosse um oponente dando um “Objection!” na sua cara), e o Logic Dive, onde você controla um surfista prateado e responde certas perguntas referentes ao caso para deduzir alguma coisa e progredir no debate. São boas adições, além de agora haverem pausas em cada tribunal para relembrar o jogador de salvar e deixar o suspense subir ainda mais, algo bem interessante.

Em se tratando da história em si, não quero dar spoilers (ou, no mínimo, não quero dar spoilers de partes significativas), mas acredite, mesmo pra aquele(a) personagem pau no rabo que você odeia durante o jogo inteiro ou para a sua futura nova waifu/hasubando que você paga pau pra cassete, nada livra ninguém de suspeitas quando chega a hora da verdade, por mais suspeito que ele pareça ser no começo ou por mais boazinha que ela possa ser com o protagonista. Tudo isso mexe até com o psicológico do jogador (qual jogo melhor pra retratar isso que Virtue’s Last Reward, hein?), que sempre vai ter provas ou motivos para suspeitar de tal pessoa, mas que na verdade vai estar caindo no plano do Monokuma de nunca confiar em ninguém, o que deixaria os estudantes todos isolados entre si e impossibilitaria o trabalho de equipe para sair da ilha de outra forma. Apesar de possuir apenas um final, lembre-se, o jogo é imprevisível em todos os momentos (eu diria que no capítulo 4 e 5 ficam menos imprevisível por reduzir o número de estudantes vivos, mas ainda assim), logo, não espere a mesma solução “copiada” do jogo original.

O jogo rende umas boas 30 horas fácil nas mãos dos jogadores que realmente querem aproveitar o universo da trama principal, mas se ainda assim você acha que é pouco, você ficará mais que feliz em saber que a história não acaba no final.

“Hã?”

Depois de completar a história principal, ainda há mini-games com a Monomi, que dá uma ou duas horas de diversão extra e esforço para platinar, um modo de jogo alternativo caso a Monomi derrotasse o Monokuma (e até é interessante, pois no final tem diálogos exclusivos, e alguns até impressionantes, dos personagens, mesmo pra mim parecendo um dating-sim disfarçado), e até uma versão digital traduzida da light novel Danganronpa IF, que conta o que ocorreria caso Ikusaba Mukuro sobrevivesse no jogo original (spoiler? Onde?). Isso sem contar a quantidade de coisa que tem pra comprar com os monocoins obtidos no final dos tribunais de classe, que compram desde presentes que podem ser dados aos personagens para obter Hope Fragments mais facilmente (e pra platinar o jogo) até liberar eventos, CGs, músicas e filminhos do jogo para você ver a hora que quiser.

Bom, dito isso, o jogo também tem algumas falhas, como ter alguns (poucos) erros de gramática inglesa aqui e ali, algumas CGs cujos escritos não foram traduzidos pro inglês em alguns flashbacks dos tribunais (sim, é confuso), e a horrível tradução para o inglês, totalmente inexpressiva perto da dublagem original. Há quem diga que o final do jogo também deixa a desejar por acontecerem algumas coisas não tão legais ou mesmo injustas, mas acredite, o FINAL final mesmo, no sentido das cenas antes dos créditos rolarem e do epílogo, até que passa uma mensagem bem massa, mesmo que deixando coisas sem respostas ou duvidosas.

Veredito Final
– Pontos Fortes 
      *História ainda melhor que do primeiro jogo
      *Personagens únicos e imprevisíveis
      *Quantia ignorantemente grande de referências à games, animes, visual novels e cultura otaku
      *Tribunais de classe continuam extremamente viciantes e imprevisíveis
      *Novos sub-modos nos tribunais de classe dão novo fôlego à série
      *Impressionante capítulo final
      *Muito conteúdo mesmo fora do jogo principal
 – Pontos Fracos
      *Alguns erros em diálogos onde o texto “vaza” da tela (não aparece por completo)
      *Infelizmente a maioria dos diálogos falados também só estão nos tribunais de classe
      *Dublagem em inglês é simplesmente frustrante
      *Algumas cenas podem não agradar todos
Nota: 9,5/10

Opinião final: É UM JOGO DO CARALHO

O que mais eu posso dizer? Nada, né? Então tchau.

Vale a pena comprar esse jogo?
Só um pouquinho… ͡(° ͜ʖ ͡°)

Você quis dizer: Vale a pena comprar um Vita só pra jogar esse jogo?

Resposta curta: vale, larga a mão de ser mão de vaca.

Resposta longa: Não importa se você é um novato em visual novels ou mesmo se nunca ouviu falar de Danganronpa antes, ou se você já é o cara pica que já leu Danganronpa Zero e vai comprar o Another Episode também (eu não faria isso se fosse você, mas ok). Danganronpa 2 é simplesmente fodástico, não deixa quem está começando por este jogo no escuro por ter um backstory muito bem explicado (mesmo que ainda assim seja bom dar uma olhada, pelo menos no anime), tem uma trama que se desenvolve num ritmo extraordinariamente bom, dá respostas bem concretas pra praticamente tudo que acontece na ilha (sério, até pra magia, os Monobeasts e até bugs dentro do jogo… sério), tem momentos bem engraçados, recheado de referências, viciante, um desfecho que liga os dois jogos certinho COM ESPAÇO DE SOBRA para ter uma continuação, que há quem diga ser o ponto final da série (buá, mas já?? NÃO ME DEIXEM NESSE DESESPERO!!!)

No mais, é isso. Eu particularmente comprei o jogo na pré-venda e não me arrependo nem um pouco disso, pois o jogo tem tanto conteúdo e é tão bom que vale cada meio centavo economizado. E tenho dito!

E que venha Danganronpa 3!
Espero que tenham gostado da análise de hoje. Enquanto isso, vou me dedicar a continuar aos meus outros afazeres até encontrar outro jogo massa para analisar. Até lá, pessoal!
Out.
Anúncios

Uma opinião sobre “Análise [14] – Danganronpa 2: Goodbye Despair – A diferença entreEsperança e Desespero está na dose”

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s